As defesas e ilusões dos familiares
(Frases do cotidiano)
Em nossos acompanhamentos junto às famílias dos pacientes, temos notado, existir uma resistência em aceitar a doença. É comum ouvirmos dizer que não sabem o que está acontecendo com o idoso; assim a ele se referem:ultimamente, está um pouco esquecido, sem vontade ou preguiça de fazer suas atividades que costumava realizar antes destes “esquecimentos”.
Frases tais como:
1 - Ele não tem mais vontade de andar no calçadão.
2 - Não vai mais à praia porque diz que o sol está muito forte; tem mêdo porque o dermatologista disse para não tomar sol.
3 - Tem os amigos do clube, mas, não conversa com eles porque tem preguiça.
4 - Está tão magrinho, tem as mãos frias, deve ser circulação, vou levá-lo ao angiologista.
5 - Procuro dizer as coisas para ele, mas, na hora de se lembrar dá um branco, precisa tomar umas vitaminas, está muito magrinho.
6 - É assim mesmo, com certeza são coisas da idade.
7 - Não consegue mudar de canal, passou o dia inteiro vendo o mesmo canal que ele gosta.Eu passei o dia todo ocupada com a faxina....
8 - Não toque neste assunto com ela, porque está muito nervosa, não sei porquê.Chora à toa.
9 - Ele tem que dirigir, temos que puxar por ele, tem que renovar a carteira de motorista.
10 - Ela está desesperada porque quer assinar o cheque, está chorando, coitada, deixa ela assinar, assim ela sossega.
11 - Tem que viajar de qualquer maneira, lá ela muda de ares, passa melhor.
12 - Não quero contratar uma empregada, porque terei que tomar conta de mais uma pessoa. Hoje em dia, não se pode confiar em ninguém, roubam tudo.
13 - Já estamos com uma empregada durante o dia; não precisa ficar à noite porque “dormimos”.
14 - Chama sempre pelo pai, pela mãe e irmãos falecidos. Sente falta deles, com certeza.Esqueceu que morreram.
15 - Não quer que se coloque na mesa aqueles pratos, pois, pertencem ao Sr. Americano. Não sei quem é, mas, deixa ela. Será que se lembrou do A. Americano com quem trabalhou, naquela época?
16 - Falou com P. no telefone, normalmente; P. disse que ela parecia uma moça, em seu juízo perfeito.
17 - Continua indo ao banco, embora comigo; a senha ele não esquece.
18 - A. foi sentado ao lado dele, e ele dirigiu direitinho.Não quer deixar de dirigir de jeito nenhum, porque não está doente.
19 - N. não lava mais a cabeça em casa, só no salão, porque tem mêdo.
20 - F. tem muito mêdo de sair à noite, e, só saímos perto de casa, mesmo durante o dia.Quando fazemos uma visita, fica ansioso querendo voltar cedo.
E assim o tempo vai passando, o paciente piora, já que se trata de uma doença progressiva e quando a família se dá conta, o seu estado fica muito difícil de ser controlado.
Por isso, Cuidador, não se deixe influenciar pelos parentes, amigos, profissionais não especializados etc. leve, imediatamente o seu vovô a um especialista em Mal de Alzheimer.
Norma Quintella
19/09/2007